quarta-feira, 10 de agosto de 2016

11 Pessoas com Autismo explicam qual a sensação de ter comportamentos estereotipados

Estereotipia, ou comportamentos exclusivo e repetitivo, são comportamentos que pessoas com autismo podem apresentar para neutralizar um ambiente sensorial esmagador ou aliviar os altos níveis de ansiedade interna, de acordo com o post de Temple Grandin em Autismo Digest. Alguns exemplos de Estereotipia são o balançar, o rodar sobre si mesmo, o andar o repetir palavras ou o bater de braços ou mãos.

As pessoas com autismo não são as únicas que têm comportamentos estereotipados, embora, ocasionalmente, pessoas num espetro estereotipado são mais óbvias por atrair mais atenção. Bastantes pessoas têm muita dificuldade em entender porque é que alguém iria entrar em processo estereotipado e repetitivo.

Pedimos aos nossos autores com autismo que explicassem como é que é a Estereotipia e qual a sensação que proporciona. Isto é o que eles tinham a dizer:

1. “Ajuda o meu corpo a regular a informação sensorial do mundo.” – Laura Ivanova Smith

2. “Sabes quando estás a cozinhar algo no fogão e às vezes tens de mover a tampa da panela um pouco para fora para deixar o vapor sair? Como pressionas uma ferida em sangramento para que o fluxo de sangue pare, ou pelo menos diminua? Para mim, Estereotipia é esse alívio – prevenir que sensações interiores expludam fazendo coisas externamente para acalmar o interior.” Paula Gomez

3. “Estereotipia é como desligar o rádio quando pensas que cheira a alguma coisa a queimar. É uma maneira de desligar os outros sentidos para teres a certeza de que nada está a queimar.” – Lamar Hardwick disse num e-mail para The Mighty

4. “Às vezes, quando me sinto oprimido, triste ou com raiva, preciso de exteriorizar. Sinto-me inquieto quando estou sobre estimulado, então preciso de me movimentar e libertar algum barulho. É a única maneira que eu sei como lidar. Acalma-me. Uma das mais comuns para mim é cantarolar em voz alta para mim mesmo (às vezes com os meus ouvidos tapados ou cobertos), e mais geralmente, irei abanar a minha perna. É involuntário, por isso nem sempre me apercebo que estou a fazê-lo. Incomoda algumas pessoas, mas eu não consigo ajudar.” – Sydney Brown

5. “Como é que é a Estereotipia? Diz-me tu. A maioria das pessoas que não têm autismo impulsivamente batem o pé, estalam os dedos ou soltam suspiros exagerados. São todas maneiras naturais de autoexpressão. A teoria de Estereotipia autista é o mesmo – nós apenas somos chamados a expressarmo-nos porque o fazemos de forma mais visível do que tu!” – Chris Bonnello da Autistic Not Weird¸ disse num e-mail para o The Mighty

6. Às vezes a estimulação sensorial é demais, e eu sinto que poderia explodir. Estereotipia é libertar a tensão e faz-me sentir muito mais calma.” – Lucy Clapham

7. “É a capacidade e a oportunidade para impedir a entrada de estímulos externos. Posso entrar em sintonia comigo mesma, reinar na minha energia e sentir-me completamente envolvida na minha própria bolha de conforto e relaxamento total. Ela ajuda-me a cair na realidade, a respirar, a abrandar e acalmar o meu sistema nervoso que está sobrecarregado. Na melhor das hipóteses, sinto-me que não há ninguém à minha volta e estou completamente calma, livre e um com o mundo.” – Laura Spoerl

8. “É uma coisa reconfortante para fazer. As pessoas normais, provavelmente, entendem e fazem coisas semelhantes, mas a diferença é que a Estereotipia autista se sente como mais necessária, e tentar impedir, é provocar um desconforto para nós. Faz-me sentir desconfortável quando não posso fazê-lo.” – Elizabeth Alford

9. “É uma combinação de hábito com a libertação da acumulação de stress ou energia interna do corpo. Não é algo que faças apenas quando te sentes ansiosa ou tens sentimentos negativos, sentes-te bem. É uma espécie de algo necessário.” – Planet Autism

10. “Quando estou stressada ou sobre estimulada, calmamente murmuro ou gemo. Quando estou extremamente feliz, sorrio um sorriso de ‘Cat Cheshire’, balanço para trás e para a frente e falo um pouco. Estereotipia é reconfortante e deixa de fora a pressão de boas e más emoções. Eu não acho que precise necessariamente de Estereotipia, eu apenas faço.” – Rachel Mills


11. “Estereotipia é como respirar... Tão natural, tão importante.” – Katy Kenah

The Mighty

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Dicas para promover o contacto visual

Se quer que a sua criança, no espectro do autismo, olhe mais vezes para si coloque-se onde seja fácil para ela ver os seus olhos. 

Quando ela olhar para si, lembre-se de agradecer e festejar. Ela estará a fazer algo verdadeiramente fantástico, mas que lhe pode ser difícil. 
 Autism Treatment Center of America, http://www.autismtreatmentcenter.org/

Conversas de Casa de Banho

Como o Autismo é um distúrbio de interação social, no Son-Rise Programa pomos SEMPRE em PRIMEIRO LUGAR a nossa relação com as nossas crianças. Isto significa tornarmo-nos acessíveis, previsíveis, amorosos e controláveis. Num mundo que está fora de controlo das nossas crianças, e onde já enfrentam dificuldades em relacionar-se e ligar-se a nós, queremos que as PESSOAS sejam AGRADÁVEIS e FÁCEIS de estar. Por isso, quando estamos a ajudar as nossas crianças a usar a sanita, ou a “limar as arestas” nas suas rotinas diárias de WC, seja a enxugar, seja quando já fazem xixi mas cocó ainda não, ou se está na fase de transição de fraldas para cuecas, qualquer que seja a situação, dar-lhes o CONTROLO da sanita é uma das técnicas mais eficaz que pode aplicar.  
Todos nós controlamos como fazemos xixi e cocó, gostamos de fazer de determinada maneira e a determinada hora, pode ser segredo e privado ou algo com muitas ideias agarradas. Veja essa jornada de ajudar a sua criança a relaxar e perceber como é divertido sem pressões. Se elas se distanciarem, fugirem ou convictamente lhes disserem “Não”, neste processo, responda imediatamente com entusiasmo (”Adoro que estejas a expressar que não! Isso é fantástico! Percebeste!”) e descarte qualquer convite ou pedido nesse momento. Isso pode durar 5 a 30 minutos, mas ao responder de imediato às suas necessidades de controlo irá fazer com que elas percebam nesse momento que você não as está a afastar.
Recomendamos que diminua a manipulação física da sua criança e só mova o corpo dela se a estiver a ajudar a fazer algo que ela própria já lhe tenha dado permissão para fazer. Por exemplo, segurar na mão para a ajudar a sentar-se na sanita, ou avisá-la que vai ajudá-la a levantar-se (por ex., “Agora vou pegar-te ao colo para te ajudar a levantar... Aqui vou eu...”. Faça uma pausa de alguns segundos, para que ela entenda o que você vai fazer e possa até recusar virando-se para o lado ou dizendo “não”, para que tenham essa sensação de controlo. 
Quanto mais controlo damos, mais flexíveis se tornam as nossas crianças. Por isso, veja isto como um fator forte e valioso, como um passo realmente necessário para a experiência delas.

Autism Treatment Center of America, http://www.autismtreatmentcenter.org/

Mais dicas para a criança usar a casa de banho!

Incorporar as idas à sanita com a sua criança nas suas atividades diárias irá ajudá-lo a continuar persistente na forma como introduz o uso da sanita à sua criança com Autismo. Agora que já usam cuecas, trata-se de apresentar a sanita de forma divertida. Pense no que a sua criança gosta e leve isso para a sanita. Se a criança gosta de controlar, talvez possa decorar a sanita como se fosse um trono de Rei ou Rainha, com autocolantes de joias e fitas douradas, e de cada vez que ela se sentar você pode oferecer-lhe algo de que ela gosta numa almofadinha em veludo vermelho (por ex., um biscoito, um sumo, um livro, etc). Podem até usar uma coroa especial quando se sentam no seu “trono-sanita”. Se a sua criança gosta do Relâmpago McQueen, por exemplo, você pode criar uma estrada com autocolantes das personagens, ou uma pista de comboio, no chão, em direção à sanita. Durante o jogo, leve o comboio ou o carro na direção da sanita e faça de conta que eles deixam cair uma carga na sanita. Se criança gosta de jogos físicos pode levá-la como se fosse um avião e a sanita pode ser a pista de aterragem. Se a criança gosta da “Dora, a exploradora” ou “Bob, o construtor”, você pode colar alguns autocolantes dos mesmos na sanita. Faça uma festa no WC! Decore a casa de banho e a sanita com balões e convide todos os bonecos preferidos da criança para a festa. Se a sua criança já é mais crescida, toque uma música conhecida quando ela se senta na sanita. A acústica da casa de banho pode ser engraçada e parecer um eco. Se a sua criança gosta de privacidade, pode pendurar uma cortina à volta da sanita e, assim, dar-lhe espaço e tempo para se sentar à vontade.
Vá experimentando situações diferentes que tornem o ato de sentar e usar a sanita mais confortável e fácil para as crianças. Se a sua criança é pequena, pode ser uma boa opção usar um penico ou um degrau de apoio ou um assento na sanita. Se já é crescida, talvez seja bom experimentar uma sanita de campismo na sua sala de jogos. 

Divirta-se durante este processo!

 Autism Treatment Center of America, http://www.autismtreatmentcenter.org/

Sabia que...

SABIA QUE... independentemente do que os outros dizem, o futuro da sua criança ainda não foi escrito? As possibilidades para o futuro da sua criança são infinitas! O que a sua criança faz hoje não lhe diz nada sobre o que a sua criança será capaz de fazer no futuro. A nossa crença e convicção do que as nossas crianças poderão fazer um dia, irá inspirá-las a conseguir atingir os mais elevados patamares e a crescer de forma incrível!
Raun K. Kaufman, autor de "Autism Breakthrough"

Sabia que...

SABIA QUE... a sua atitude e o seu estado emocional têm um grande efeito na recetividade das suas crianças? Quando estamos chateados, desconfortáveis, preocupados, cansados ou zangados, a nossa criança vai perceber isso e, em vez de se aproximar de nós, afasta-se.
Por isso, quando estamos recetivos, amáveis, acessíveis e relaxados as nossas crianças também o vão perceber e aproximam-se em vez de se afastarem. Tal como nós fazemos com as pessoas que nos rodeiam.

Raun K. Kaufman, autor de "Autism Breakthrough"

Sabia que...

SABIA QUE... quando está a ser divertido, amável e a aceitar a sua criança, torna-se num embaixador convidativo ao mundo da socialização? É provável que a sua criança tenha mais vontade de se relacionar socialmente quando você faz isso.
Raun K. Kaufman, autor de "Autism Breakthrough"